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quinta-feira, 30 de abril de 2009

HA MAIS DO QUE SAPOS E PERNILONGOS EM VOLTA DE UMA LAGOA

Primeiro, há que se louvar a atitude do Ministério Público de Itumbiara em propor através do promotor Jales Guedes Coelho Mendonça embargo de obra da prefeitura de Itumbiara em área de preservação ambiental. Do mesmo modo, reconhecer oportuna a ação da Semarh (Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) em promover o embargo da obra.
Depreende-se do fato que, felizmente, ainda resta a quem o povo recorrer ao se sentir ameaçado nos seus legítimos direitos e que a democracia impõe limites e atribui aos diversos setores de representatividade, direitos e deveres. Enfim, não há mais lugar para ditadores nem administradores antidemocráticos do tipo “eu sei o que estou fazendo e tenho certeza de que estou certo”, nem para falsos estadistas da língua solta que se comprazem em afrontar autoridades com provocações do tipo “eu não vou deixar Itumbiara parar por causa de uma cabeça maluca”.
No episódio, a prefeitura lança mão do jornal Folha de Notícias que na qualidade de seu porta-voz, trabalha as notícias de forma tendenciosa, com o objetivo de mais uma vez manipular a opinião pública. O jornal que pelo fato de se alinhar ao poder não goza de crédito, se ocupa, constantemente em mostrar tudo à feição do prefeito, ignorando o dever de tratar a notícia mostrando todos os ângulos: de um lado o Ministério Público, do outro a Prefeitura Municipal e, no meio de tudo o povo.
Não será de se estranhar se as rádios também abraçarem a causa do prefeito se já não o fizeram, uma vez que os dirigentes das mesmas são parceiros incondicionais do chefe do executivo.
A presença de 9 dos 10 vereadores ao lado do prefeito posando para o FN, a rigor não expressa representatividade, muito menos o anseio popular, já que vereadores são eleitos para defender o povo, mas, no caso de Itumbiara, são de total nulidade, uma vez que existem apenas para dar legitimidade às decisões do prefeito.
Ademais, há leis claras e insofismáveis a disciplinar as questões do meio ambiente e elas têm que ser respeitadas, haja o que houver. Se lagoas estão protegidas, não há por que evocar a inexistência de nascentes no local como está pretendendo o senhor prefeito. Designar uma nascente existente em outro local para ser preservada é outro absurdo, ela já está preservada por natureza e cabe ao poder público zelar por isto.
Dizer que as lagoas são depositórios de animais mortos e outros detritos, é reconhecer a incompetência da prefeitura em proteger o local que, aliás, deveria estar devidamente cercado e fora do alcance de qualquer tipo de agressão e isso cabe à prefeitura. Se a existência de uma lagoa favorece a proliferação de mosquitos, a população residente no bairro Dionara Rocha deveria encomendar o aterramento de um lago que o atual prefeito mandou construir lá.
O que se depreende de tudo isso é que os motivos são outros, provavelmente inconfessáveis, mas que estão sendo e serão protegidos pela manipulação dos fatos. Não se surpreenda se manifestantes recrutados na “tropa de choque” do prefeito, travestidos de “ofendidos” moradores do “Cidade Jardim”, descerem ao centro da cidade portando bandeiras e cartazes de protestos pelo embargo de mais uma obra do prefeito que a rigor deveria ter sido preliminarmente discutida com a comunidade que sequer sabe do que se trata.
Independente do mérito que prevalecerá sobre tal contenda, uma lição já se apressa em se impor, a que o diligente cidadão Adenir Mateus Alves nos ensina ao ter tomado as dores da população gritando em sua defesa ao pedir socorro ao Ministério Público em defesa da preservação ambiental, assunto que a classe política em geral insiste em ignorar.

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